A tabela de honorários foi atualizada em julho de 2025 com base no INPC e segue vigente em 2026. O problema não é a tabela: é o terapeuta que ainda cobra abaixo dela por medo de perder pacientes, e perde muito mais do que imagina ao fazer isso.
O CFP e a FENAPSI atualizaram a Tabela de Referência de Honorários em julho de 2025, com vigência a partir de 1º de julho de 2025, usando o INPC-IBGE como base de correção. Essa tabela, elaborada tecnicamente pelo DIEESE, segue sendo a principal referência para precificação de serviços psicológicos em 2026.
Mas há um problema estrutural que os dados não conseguem capturar: muitos terapeutas cobram abaixo até mesmo do referencial mínimo da tabela. E quando questionados, a justificativa é sempre a mesma: medo de perder o paciente.
É preciso ser claro sobre o que a tabela é e o que ela não é. Ela é um documento de referência nacional elaborado pelo CFP e FENAPSI. Não é piso obrigatório com força de lei, não é teto, e o CFP não pode fixar preços, isso configuraria cartel, vedado pelo CADE.
O que a tabela faz é sinalizar o que o próprio sistema profissional entende como valor mínimo razoável para os serviços prestados. Cobrar abaixo dela não é ilegal, mas é um sinal de que algo está errado na equação financeira do consultório.
Segundo o levantamento da PsiNotaAI (maio de 2026) e da AgilizaPSI (junho de 2026), os valores médios por sessão variam entre R$120 e R$400, dependendo de região, especialização e tempo de carreira. Capitais como São Paulo, Rio e Brasília concentram valores acima de R$200 para psicólogos com pós-graduação. Profissionais com nicho definido e presença digital consistente reportam valores entre R$280 e R$400.
Cobrar abaixo do mercado não é uma estratégia de captação, é uma estratégia de esgotamento. O terapeuta que cobra R$80 por sessão precisa de 60 sessões por mês para faturar R$4.800. Com 60 sessões, não há tempo, nem energia, nem presença terapêutica de qualidade.
"Aumentar R$20 por sessão, com 20 sessões semanais, representa R$1.600 a mais por mês, sem atender um único paciente a mais. O reajuste não é ganância: é sustentabilidade."
baseado em AgilizaPSI, Jun 2026Há também um efeito que poucos terapeutas verbalizam: o valor cobrado comunica algo ao paciente sobre o que acontece dentro do consultório. Não estamos falando de elitismo, estamos falando de posicionamento. Um profissional que cobra muito abaixo do mercado gera, inconscientemente, uma dúvida no paciente em potencial: por quê?
A metodologia sugerida por múltiplas fontes especializadas em 2026 é simples:
Reajustar honorários é ético, necessário e previsível. O próprio Código de Ética do CFP, no artigo 4º, orienta que o valor deve ser acordado entre profissional e paciente, mas nunca de forma que desvalorize a profissão. Comunicar um reajuste com 30 dias de antecedência, por escrito, com justificativa objetiva (inflação acumulada, por exemplo) é prática ética e profissional, não uma ruptura do vínculo terapêutico.
O vínculo terapêutico não quebra por causa de um reajuste bem comunicado. Ele quebra quando o terapeuta está esgotado, ressentido e sem energia para estar presente.
Psicanalista clínico freudiano, com consultório em Atibaia-SP. Escreve sobre mercado de saúde mental, gestão de consultório e desenvolvimento profissional do terapeuta.